“Mentira. Dor. Traição. — É extremamente incrível o quanto
eu associo diretamente essas palavras a você, só de escutá-las bem de longe. Eu
juro que tentei não guardar nenhum vestígio de nós na minha vida, no meu
coração… Mas é difícil estar na minha pele, e espero que você entenda. É
difícil aceitar que as coisas mudaram, e que algumas, sempre vão ficar. É
difícil saber que eu devo sentir falta em algum lugar dentro de mim… Não de você , mas do que nós éramos. É difícil viver com a certeza de que não foi tudo
só um sonho, por mais que tenha mais me parecido um pesadelo e eu apenas exista
hoje. É difícil saber que você só foi real em alguma parte dessa história toda,
que acabou há algum bom tempo, e eu insisto em continuar te prendendo nos meus
sorrisos medíocres, nas minhas piadas sem graça, só pra me lembrar do teu nome,
de quem você foi pra mim. Ou quem você fingiu ser comigo. É difícil saber que
você respira o mesmo ar que eu, mas não me respira mais; sua respiração não se
ofega quando me vê andando do outro lado da calçada, e o jeito que eu suspirava
quando te abraçava, já não é mais nada. Era tudo por você, tudo o que eu fazia
(...) . Uma boa parte em mim, ainda é você. E acredite: Você não deixou apenas
boas coisas. Então, meu amor… Eu reconheço que você me deixou cair no
esquecimento, por mais que me doa. (...)
E olhe como o conto-de-demônios termina: Você dormindo com outra, e eu
acordada vivendo um pesadelo. Mas o importante é: Eu não sou como você, meu
querido. Eu não sou covarde o suficiente pra fugir das coisas, por mais que até
nisso eu tenha amado você. Eu não vou mentir pra mim, não vou me magoar por
esconder a dor, não vou trair a minha garganta por prender os gritos dentro
dela. Eu vou dizer tudo o que você merece ouvir, mesmo quando da sua parte, já
não se tem mais nada a dizer.
— Eu amei você. E não tenho medo de berrar isso ao mundo,
entenda. — Mas sabe quem eu amei? Aquele menino de olhos castanhos, fios pretos
e madeixas castanhas desajeitadas, que preferia rock à pop. Eu amei aquele
garoto que foi emagrecendo imensamente ao decorrer do tempo, aquele que passou
de “gordinho, fofinho” pro magrelo de 1,70 de altura e 60KG. (...) Aquele cara que era o cara. Que não me
deixava de lado, mesmo quando ia jogar futebol. Que contava sua vida inteira
pra mim (...). Aquele que colocava os adjetivos no diminutivo só pra me
irritar, (...) , que conversava comigo nas aulas chatas… E que sabia como me
fazer sorrir quando eu tava brava e com vontade de chorar. Eu acreditava que
esse era você, juro. Eu acreditava que você era o cara pra mim. Mas e você?
Você já acreditou algum dia que eu era a garota pra você? Eu fui sua melhor
amiga acima de tudo, meu Deus! Se lembre disso. —(...) . Eu dava conselhos
sobre a sua vida pessoal, principalmente quando era sobre mim, e você sempre
encostava sua cabeça no meu ombro, sem reação, quando eu falava algo inusitado.
A gente sempre teve uma relação aberta e diferente, que até nos fez prometer: —
Nada que aconteça vai acabar com isso. — Mas você me traiu, mentiu, me quebrou;
acabou comigo em todos os sentidos. Irônico, não? Quando você prometeu que era
necessário o nosso afastamento, e que doía em você também; no dia seguinte,
apareceu com outra do seu lado e com os lábios grudados na sua boca, bem
sorridente. Custava falar a verdade, que não sentia muito porra nenhuma?
Mentiroso, traidor! Você fez eu trair-me também, me manipulou; criou um
joguinho “Eu e Você” e depois me deixou jogando sozinha. — Eu tinha certeza de
que um dia tu ias voltar, e eu lutei tanto por nós! Você me disse adeus com os
olhos de quem queria poder ficar. Para quem faz aula de luta, sua atuação é
admirável. Parabéns. À princípio, quase me fez acreditar que sentia muito mesmo
(...) Eu sei que você mudou só de
tática. Continua sendo o mesmo mentiroso de sempre. E eu quase acreditaria que você ama ela, se eu não te conhecesse tanto. Esqueceu que eu era sua melhor amiga e ainda tenho o poder irritante de te ler? Porque mesmo você falando
que com ela é eterno, tu me disseste isso antes. Além do “meu amor”, eu perdi
meu suposto melhor amigo (...) Preciso
confessar que isso foi triste… (...) — E quanto a você? A resposta é óbvia.
Perdeu a pessoa que te amou de verdade, a sua melhor amiga a todo segundo, a
sua dignidade, o seu e o meu respeito (...) Você perdeu; por mais que ache que
está ganhando agora. As coisas não vão ser fáceis daqui pra frente, eu lhe
garanto. Você vai querer voltar atrás, confie em mim.”
Cartas Incabadas.
Cartas Incabadas.

Obrigada :)
ResponderEliminarSigo de volta **
incrível como isto descreve a tua e a minha história, que por acaso são iguais... Mas tal como eu tu és forte o suficiente para ultrapassares essa fase amor (a)
ResponderEliminarAmoo-teee minha princesaa <3
Sim, faz parte do nosso passado, e o passado nao se apaga assim tão facilmente . We are strong :3
EliminarAmoo-te linda <3